terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Santa Casa de Pilar do Sul


É do conhecimento geral que a saúde pública em nosso país esta um caos total.

Gestantes perdem seus bebês esperados por nove meses porque, quando chega a hora do parto vão aos hospitais públicos e, por não terem uma estrutura necessária mandam a mamãe embora dizendo que ainda não é a hora, quando percebem já é tarde demais, o bebê passou da hora de nascer e esta morto, correndo além do sofrimento psicológico, o risco da mamãe ter adquirido uma contaminação e vir até perder sua vida, pessoas ficam anos à espera de vagas para exames, cirurgias de emergência, falta medicação importante para poderem continuar vivendo, hospitais faltando desde o papel higiênico até material necessário para as cirurgias, falta de higienização causando contaminação hospitalar, e acima de tudo “humanização”.

Por isso, hoje estou usando este espaço no “meu blog” porque, não se deve apenas apontar os erros, defeitos e negligências dos profissionais e dos serviços públicos (se bem que vivemos num momento em que tanto faz ser público ou particular a situação esta critica do mesmo jeito). Muitas pessoas que me conhecem sabem que sou imparcial e que não tomo partido de ninguém, critico quando necessário elogio se merece. As pessoas que me viam pelas ruas nos últimos dois meses estranhavam que eu estava com uma barriga muito grande, recebia até brincadeiras dizendo “quando seu neném vai nascer?“, mas na verdade, depois da ultima cirurgia (apêndice supurada) onde fiquei no hospital em Sorocaba por dois dias aguardando vaga para a cirurgia e essa cirurgia ter sito muito drástica, isso me causou o surgimento de uma enorme hérnia, tendo que me submeter na ultima sexta-feira (24/02) a uma nova cirurgia.

Após consulta, realização de todos os exames solicitados, fiquei no aguardo (como qualquer outra pessoa), de uma vaga na Santa Casa de Pilar do Sul para a realização dessa cirurgia. Por isso, quis ocupar este espaço para dar meu depoimento.

Neste mesmo blog há algum tempo atrás já publiquei matéria de reclamações da população, sobre as condições precárias e atendimento nesse local público e, quero dizer que fiquei impressionada com a drástica mudança que encontrei.

Quero agradecer o atendimento, educação e carinho que desde os recepcionistas, moças da limpeza (diga-se de passagem, impecável), pessoal que cuida da alimentação dos pacientes (nutricionista e funcionários que levam as refeições a cada leito e a cada acompanhante), enfermeiras, chefes de enfermagem, a anestesista (uma pessoa amável e que me transmitiu uma confiança desejada) e, especialmente ao Dr. Arnaldo Pantaleão quem me operou com muito cuidado e soube entender com paciência meu medo e preocupação.

A Santa Casa de Pilar do Sul hoje passa por todos os problemas que 99% dos outros setores da saúde passam, mas, com boa vontade, perseverança, equipe unida, dirigentes tentando solucionar todos os problemas da melhor maneira possível e contando com a compreensão da população, mudou muito a estrutura. O atendimento profissional (de todos) e a parte humanitária pode-se dizer que está 100%. Mesmo assim pode sim existir falhas, mas, qual ser humano não a tem?

É importante que a população saiba ajudar nesses momentos difíceis que todos estão atravessando por causas politicas e que, afetam primeiramente, as pessoas mais carentes e necessitadas. Então, saibam usar seus direitos e cobrem quando necessário, desde que faça sua parte da maneira correta e não errada como vimos nos últimos dias nos meios de comunicação, onde pessoas estressadas por aguardarem muito tempo pelo atendimento médico agrediram enfermeiras, quando se sentirem lesados nos seus direitos, procurem a administração da Santa Casa, tenho certeza que receberam os esclarecimentos necessários. Estou falando isso porque na semana passada quando fui à Santa Casa antes da internação, encontrei uma gestante na porta chorando dizendo que, estava sentindo dores muito fortes e que, simplesmente deram soro e a mandaram para a casa, criticou dizendo que as outras gestantes que tinham dinheiro já estavam internadas esperando para fazerem seus partos e ela, por ser pobre estava ali naquela situação. Não se pode tirar esse tipo de conclusão, talvez se ela tivesse pedido para falar com alguém da administração, com certeza esse profissional teria se inteirado do problema e poderia de maneira sutil, delicada (porque a gestante fica muito sensível) lhe informado da real situação e a futura mamãe não estaria tão nervosa e revoltada com sua classe social.

Tenho certeza que fui atendida da mesma maneira que esses profissionais da saúde sempre atendem a todos os demais munícipes, não fui, em momento algum privilegiada por ser uma jornalista ou ser uma pessoa conhecida por todos e ter muitos amigos (graças à Deus), por isso, só tenho a dizer “Deus abençoe a todos vocês profissionais da Santa Casa e que Deus continue sempre iluminando suas vidas e fazendo com que, cada dia mais, vocês possam continuar com esse dom de socorrer, dar amor, carinho e atenção as pessoas que entram nessa casa e que estão naquele momento muito debilitadas e precisando de muita paciência e atenção”.


Sueli Cano Maita

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